domingo, 1 de dezembro de 2013

A felicidade é uma mentira.

Essa é para você, que se sente entediado, mal amado, deprimido... Acredite, a vida é mesmo assim, uma bosta. Pare, de uma vez por todas, de idealizar. Você não é o protagonista de uma superprodução hollywoodiana. Você é um mero ser humano. Um grão de areia na vasta praia do Universo. E a sua vida é apenas um produto do acaso, da Natureza.

Viver não comporta garantias. O acaso determina tudo. Se o acaso sorrir para você, agradeça essa chance pouco provável! Mas não espere por isso. Apenas, deixe rolar.

E lembre-se: o acaso parece sorrir mais para aqueles que sorriem mais! É como uma sintonia energética. Os sorrisos, as alegrias se atraem. Não os opostos. Se o acaso perceber o azedume no seu campo vibratório, pode ter certeza, ele vai azedar ainda mais tudo à sua volta. Até o seu café vai parecer mais amargo. O açúcar, os talheres, e todas as miudezas do seu mundo doméstico serão cada vez mais atraídos pelo chão. Caos total.

Mas, se você não tiver a mínima vontade de sorrir, se não tiver nenhuma razão para isso – o que é mais do que normal: é a perfeição divina – finja! Finja a felicidade! Comece mesmo a agir como se estivesse feliz! Finja tanto, minta tanto para todos e principalmente para si mesmo que se sente feliz, até que, adivinhe! Logo você acreditará na própria mentira! E esse, meu caro amigo amuado, é um caminho sem volta!



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Lista de Afazeres - Um ser humano prestes a explodir de raiva

Analiso minha lista de afazeres. Ela é longa, densa, repleta de tópicos importantes, que há dias vêm sendo adiados e não podem mais esperar para ser riscados de uma vez por todas do mapa da minha vida. Ela própria já é uma realização.

O caminho até riscar todos os itens da lista é sofrido. A tortura não é o cumprimento dos itens em si. O cumprimento de um compromisso é prazeroso, libertador.
A tortura é o período anterior, antes mesmo da própria listagem dos tópicos, quando ainda estamos procrastinando. Ali dominam a indecisão, a insegurança, a angústia, a preguiça, a baixa auto-estima, o sentimento de incapacidade, o auto-boicote. Todos em festa e quanto mais compromissos se acumulam, maior a festa, e quanto maior a festa, maior a lista.

Olho novamente para a lista. Cada item se divide em sub-itens. Para chegar ao fim de um deles, por exemplo, é preciso dar mais de um telefonema. Viajar a outra cidade. Revolver pilhas de papéis amontoados, cada qual com sua pendência deixada para depois. Comparecer a uma repartição pública. Aí então, é uma sensação prévia de derrota.

No primeiro telefonema, a chamada é desviada para a caixa de mensagens. Após a quarta tentativa, a inevitável desistência e o adiamento da tarefa. A utilidade de um telefone é totalmente aniquilada quando a ligação nunca é atendida.

Viajar a outra cidade para buscar uma única folha de papel libertadora requer toda uma preparação. Primeiro com o veículo: deve-se verificar combustível, água, óleo. Calibrar pneus. Se precisar passar por um pedágio, é preciso ter dinheiro vivo em mãos. Se não tiver, tem-se que ir antes ao banco fazer o saque. Pegar a fila do banco. Não esquecer de levar o cartão. O repertório musical também deve ser checado e garantido. Deve ser aquele em que as letras já foram todas decoradas. Isso faz toda a diferença para o êxito da missão.

Depois de tudo isto definido, o momento mais difícil: sair de casa. Não se pode pensar muito, deve-se ligar o cérebro no botão automático e seguir firme até o guarda-roupa. A escolha do figurino pode ser um passo mais que estressante. Especialmente se o que se tem que vestir não é exatamente uma projeção do seu verdadeiro eu. Roupa formal. Sapatos altos. Bolsa estruturada. Maquiagem. O sorriso social. Monta-se toda uma personagem.

Quanto à pilha de papéis, este é, sem dúvida, o obstáculo mais demorado. Cada inocente folha demonstra uma outra providência a ser cumprida. Passar os olhos por elas significa relembrar e armazenar, nos milésimos de segundos de que o pensamento é capaz, mais e mais obrigações, o que, certas vezes, é capaz de causar tamanha confusão mental geradora do grande "branco" que é o travamento da mente que a torna incapaz de realizar qualquer atividade útil a não ser aquelas de satisfação imediata, como comer um doce, ou abrir pontas duplas dos cabelos.

É preciso uma dose grande de concentração, se não um choque de realidade, para sair dessa situação paralisante e retomar as rédeas da vida, porque, nesse momento, tudo pára.
Enquanto aquela grande rocha não é afastada do caminho, nenhum outro movimento é possível.

A detonação dessa rocha só pode ser feita com o uso de muita dinamite. Uma grande explosão. Uma explosão de raiva que se sucede ao grito de liberdade. A batalha se inicia. É uma corrida bélica rumo à libertação de um ser vivo.

Nada, nem ninguém pode interromper esse processo sem volta, sob pena de uma catástrofe ainda maior. E que ninguém profira a palavra "mãe" perto desse ser em transformação. Ou lágrimas irão rolar.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Os Gatos


Adoro quando compro um livro pela capa e ele supera minhas expectativas!

É que esses dias a Luana me pediu – pela enésima vez – um gato. Eu adoro gatos, acho um dos animais mais emocionantes, mas sou alérgica. Gato em casa, nem pensar. Aí passando pela grade de livros de bolso na livraria, me deparei com uma capa muito poética na qual tinha um gato desenhado nela e com o título “Os Gatos”. Vi que não era um livro infantil, mas tinha o seu tempero lúdico, e alguns grafites inusitados de gatos. Comprei pra dar de presente à Luana (em substituição ao gato de verdade). Tipo de coisa que uma mãe passa a fazer pra aliviar o sentimento de culpa por não dar ao filho o que ele quer.

Mais tarde, na hora da história, comecei a ler pra Luana, e o primeiro conto é sobre um gato que leva da rua para dentro de casa um par de dedos humanos, inchados e azulados, e a família (humana) do gato começa a confabular o que será feito com aquele achado. Chamam a polícia? Jogam o tesouro no lixo? Tiram o anel primeiro? A Luana adorou! E eu mais ainda.

Depois que fui ver, o livro é obra de Patricia Highsmith, escritora americana da década de 20, que escreveu, entre outros, “Pacto Sinistro”, adaptado para filme de Alfred Hitchcock e “O Talentoso Ripley”, um de meus suspenses favoritos, no qual Matt Damon faz o personagem principal. Daqueles filmes que marcam pra toda a vida.

Certo é que a hora da história ficou mais divertida pra nós duas! Que Galinha Pintadinha o quê!


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Da vidraça eu vejo

Da vidraça da cafeteria eu vejo um pedaço de rua. Uma rua antiga, com calçamento de pedras arredondadas. Chove uma chuva média e constante. Quem passa por ali, segue molhado, de cabeça baixa, ainda que com guarda-chuva.
Um guarda-chuva emperrado, pontudo, é carregado por um homem de chinelos e cara de poucos amigos. Ele veste uma roupa surrada, a calça mal dobrada nos tornezelos, de estampa listrada e casaco marrom. Parece um doente de uma vida inteira. Sobrevivendo aos minutos do dia e da noite.
Um guarda-chuva xadrez é levado por um marido. Ele veste calça jeans e camisa de listras finas. Sapatos e cinto de couro marrom, combinando. Óculos de grau e cabelo penteado. Pela aparência asseada e lentidão calculada, na certa é um marido levando fraldas pra casa.
Do prédio em frente sai um casal que parece emergido da Idade das Pedras: estatura baixa e tronco corpulento, em formato de triângulo invertido. Cabelos grossos, emaranhados e pretos. Peles enrugadas e queimadas de sol. Movimentam-se em ritmo lento e simultâneo. Não trocam palavras porque não precisam, se entendem no olhar.

Respiro fundo e lembro que tenho que seguir meu caminho. O movimento dos passantes não pára. A chuva não pára. O tempo não pára. A vida continua.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Medo da folha branca

Faz tempo que venho tentando escrever algumas ideias, qualquer coisa, apenas pra restabelecer o hábito que uma vez tive, mas que virou trabalho e portanto deixou de ser tão divertido... Há anos escrevo só a trabalho, usando aquela formalidade nas palavras, e por isso perdi muito da minha identidade quando me expresso no papel, pois pessoalmente, não sou nada formal! 

Toda vez que abria uma folha pra escrever algo, batia aquele branco! E ainda me esforço. Estou me esforçando agora mesmo pra me encontrar de novo. Por isso a ideia de criar este espaço e um novo hábito de escrita, num tom mais pessoal e informal, pra ver se eu me recupero.

Na verdade, a folha branca representa um espelho. Onde eu mostro muito de mim. Então esse medo deve ser de mim mesma, da minha auto-crítica, mas também do olhar alheio...

Então começo esse 2013 chutando para bem longe o balde e esse medo de ser criticada. Pronto!