quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Da vidraça eu vejo

Da vidraça da cafeteria eu vejo um pedaço de rua. Uma rua antiga, com calçamento de pedras arredondadas. Chove uma chuva média e constante. Quem passa por ali, segue molhado, de cabeça baixa, ainda que com guarda-chuva.
Um guarda-chuva emperrado, pontudo, é carregado por um homem de chinelos e cara de poucos amigos. Ele veste uma roupa surrada, a calça mal dobrada nos tornezelos, de estampa listrada e casaco marrom. Parece um doente de uma vida inteira. Sobrevivendo aos minutos do dia e da noite.
Um guarda-chuva xadrez é levado por um marido. Ele veste calça jeans e camisa de listras finas. Sapatos e cinto de couro marrom, combinando. Óculos de grau e cabelo penteado. Pela aparência asseada e lentidão calculada, na certa é um marido levando fraldas pra casa.
Do prédio em frente sai um casal que parece emergido da Idade das Pedras: estatura baixa e tronco corpulento, em formato de triângulo invertido. Cabelos grossos, emaranhados e pretos. Peles enrugadas e queimadas de sol. Movimentam-se em ritmo lento e simultâneo. Não trocam palavras porque não precisam, se entendem no olhar.

Respiro fundo e lembro que tenho que seguir meu caminho. O movimento dos passantes não pára. A chuva não pára. O tempo não pára. A vida continua.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Medo da folha branca

Faz tempo que venho tentando escrever algumas ideias, qualquer coisa, apenas pra restabelecer o hábito que uma vez tive, mas que virou trabalho e portanto deixou de ser tão divertido... Há anos escrevo só a trabalho, usando aquela formalidade nas palavras, e por isso perdi muito da minha identidade quando me expresso no papel, pois pessoalmente, não sou nada formal! 

Toda vez que abria uma folha pra escrever algo, batia aquele branco! E ainda me esforço. Estou me esforçando agora mesmo pra me encontrar de novo. Por isso a ideia de criar este espaço e um novo hábito de escrita, num tom mais pessoal e informal, pra ver se eu me recupero.

Na verdade, a folha branca representa um espelho. Onde eu mostro muito de mim. Então esse medo deve ser de mim mesma, da minha auto-crítica, mas também do olhar alheio...

Então começo esse 2013 chutando para bem longe o balde e esse medo de ser criticada. Pronto!